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Madeira “engenheirada” na construção do futuro


Para professor de Engenharia da USP de São Carlos, madeiras, especialmente de espécies cultivadas, estão no futuro da construção civil em países da Europa e Estados Unidos. No caso do Brasil, país de grande aptidão florestal, as chamadas madeiras “engenheiradas” são uma opção especialmente vantajosa.

Entre as madeiras “engenheiradas”, que são aquelas processadas industrialmente para otimizar seu uso particularmente na construção, há diversos produtos muito promissores. O professor Carlito Calil Junior, da Escola de Engenharia da USP de São Carlos, destaca dois deles: a CLT, sigla em inglês para madeira laminada cruzada, e a MLC, madeira laminada colada. Calil informa que os dois produtos, muito utilizados na Europa e Estados Unidos para construção de residências, podem ser complementares numa obra. “As madeiras mais utilizadas são as de florestas plantadas e de média densidade como o pinus, amaru, lyptus, parica e teca jovem”, destaca.

Segundo o professor, a MLC é usada para fins estruturais na forma de madeira reconstituída em processo industrializado de fabricação. “MLC é composta por lâminas de dimensões relativamente reduzidas se comparadas às da peça final, coladas umas às outras e dispostas com as fibras paralelas ao eixo longitudinal dessa peça. Entende-se por CLT os painéis estruturais constituídos de varias camadas de lâminas montadas de maneira cruzada, coladas nas faces largas e, algumas vezes, nas faces estreitas. É um painel estrutural com um mínimo de três camadas de lâminas colocadas perpendicularmente umas as outras. MLC é fabricada para o uso em vigas e colunas, enquanto o CLT é fabricado em painéis de grandes dimensões, quatro por 20 metros, por exemplo, sendo muito utilizado em paredes, pisos e forros de casas de madeira pré-fabricadas”, explica.

A tecnologia de fabricação da CLT permite melhor aproveitamento da matéria-prima. “Considerando que o sistema de painéis é estruturalmente mais redundante – informa Calil – pode-se utilizar a maioria das peças classificadas em quatro níveis denominados SE, S1, S2 e S3, pois os painéis são formados pelo menos com três camadas de lâminas, sendo a central transversal ao comprimento e as outras duas externas longitudinais. O aproveitamento é maior, pois pode-se usar todas as classes da madeira. O desenvolvimento da CLT se iniciou na Europa e está ganhando muita popularidade em aplicações residenciais. Existem atualmente muitos edifícios no mundo construídos com CLT. Os Estados Unidos e o Canadá estão desenvolvendo este produto inclusive com a publicação de normas e manuais detalhando cálculos e montagem de painéis. Já foram construídos edifícios de 10 andares usando CLT e está em projeto no Canadá a construção de um de trinta andares”, informa Calil.

Para o docente, o tratamento preservativo industrial da madeira, tanto para a CLT quanto para a MLC, agrega durabilidade e, por consequência, valor. “Usar madeira sem tratamento pode prejudicar a popularidade do material tirando as vantagens do uso da madeira como elemento estrutural. O tipo de tratamento vai depender da classe de uso da madeira. Recente norma brasileira aborda as classes de uso e os tipos de tratamentos recomendados”, ressalta.

O desenvolvimento de produtos inovadores, como nos casos da CLT ou da MLC, depende de interação entre empresas e instituições de pesquisas. Isto vale para praticamente todos os setores da atividade produtiva. “A Montana Química é um bom exemplo. Sempre foi parceira do Laboratório de Madeiras e de Estruturas de Madeira da Escola de Engenharia da USP de São Carlos, no qual sou diretor, e do Instituto Brasileiro de Madeiras e de Estruturas de Madeira que presido atualmente. Nossas atividades envolvem o desenvolvimento de normas brasileiras, pesquisas em nível de mestrado e doutorado e publicação de manuais de projeto e construção de estruturas de madeira”, finaliza.



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