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Para presidente da CBIC, setor da construção começou a caminhar no fundo do poço



Indicadores estabilizam após meses de profunda estagnação e pessimismo. Veja entrevista com José Carlos Martins

Diante dos sinais de melhora no humor do mercado, o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, avalia que "já estamos caminhando no fundo do poço". Depois da retração profunda registrada nos últimos meses, a indústria da construção tem apresentado sinais de estabilização, estimulada pela retomada de obras paradas e perspectivas melhores para a economia.

Recentemente o Governo Federal anunciou planos de retomar aproximadamente duas mil obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que estavam paralisadas ou inacabadas. O ministro das Cidades, Bruno Araújo, anunciou a retomada das obras do Minha Casa Minha Vida na faixa 1 que estavam paralisadas há meses. Além de flexibilizar as regras para concessão de crédito, a Caixa Econômica Federal declarou nesta semana que pretende entregar três milhões de unidades do MCMV até o final do ano.

Em entrevista à Construção Mercado, Martins também observou que a agenda da construção, com itens que o setor considera fundamentais para a retomada, segue avançando, mas a passos lentos dentro do governo. Para Martins, a questão ainda emperra na interinidade do governo. "Nossa interlocução com o governo é muito boa, a equipe técnica impressiona, mas a velocidade das negociações tem deixado a desejar", afirmou.

Em maio, uma delegação da CBIC entregou ao presidente interino Michel Temer uma agenda com sete itens que considera essenciais para reativação do setor. No documento a categoria pede controle e eficiência dos gastos públicos, discussão e rápida aprovação das reformas estruturais, melhoria do ambiente de negócios, mecanismos que facilitem a execução de concessões e PPPs, incentivos para a habitação de interesse social, combate a informalidade com foco na geração de emprego e renda e a criação de um grupo executivo para priorizar as obras do PAC.

Otimista, Martins observou que não há ninguém no Governo Federal que entenda mais de estrutura, da parte técnica, do que o Moreira Franco, secretario-executivo do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI).

Segundo Martins, o comitê do PPI deve se reunir nos próximos dias e a torcida é que o processo decole. "O Brasil tem enormes carências. Veja três exemplos bem simples: saneamento, aterro sanitário e iluminação pública. Eles se encaixam perfeitamente nas concessões", disse, ressaltando a importância de que se amplie esse mercado. "Não temos que olhar só para rodovias e aeroportos".

Por sua dimensão e capilaridade, a Caixa e o Banco do Brasil teriam o perfil ideal para entrar nesse jogo e ajudar o programa a decolar. "Se prepararem um produto adequado, redondinho, até o final do ano isso pode dar certo", acrescentou Martins. Além de ampliar a concorrência, permitir a entrada de um número maior de empresas nas concessões também traria transparência e mais eficiência ao processo.

Infraestrutura
O presidente da CBIC lamenta o atual estado da infraestrutura do Brasil, que considera um desastre. Estudos apontam que apenas para manter a infraestrutura existente seria preciso investir 3% do Produto Interno Bruto (PIB) anualmente. Em 2015, o País investiu parcos 1,8%. "Não estamos sequer conseguindo manter o que já existe, que está se deteriorando", observou. Para o Brasil crescer a níveis razoáveis calcula-se que seria preciso investir entre 5% a 7% do PIB.

Voltar a lançar
Confiante, Martins considera que, ao analisar os números de vendas e lançamentos no mercado imobiliário, o quadro sinaliza que estamos em um nível médio de estoques - considerando a série histórica. "Ou seja, basta os níveis de vendas começarem a se recuperar que já retornaremos ao ritmo normal. O mercado se autorregula."

Visto que o ciclo produtivo da construção é horizontal, a expectativa é de que a reação do setor será muito rápida aos primeiros sinais de reativação da economia. "Somos os primeiros a responder a qualquer estímulo. Principalmente porque a capacidade ociosa é muito grande no momento." (CBIC)

 

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